domingo, 17 de maio de 2020

Armadilha

É armadilha fingir que tudo está bem,
Sorrir por fora e sangrar por dentro também,
A dor se disfarça num riso ilusor,
Pra não revelar ao mundo o tamanho da dor.

A máscara cai devagar no olhar alheio,
Mas em você a mente paga o preço inteiro,
Neurônios cedendo à pressão constante,
Cabeça fervendo num peso sufocante.

Tudo seria menos duro, menos castigo,
Se houvesse palavra, desabafo amigo,
Dividir o fardo, aprender a falar,
É simples — mas o silêncio prefere ficar.

Não somos máquinas, é preciso entender,
Somos gente sensível tentando viver,
Sofrer sozinho não prova razão,
É a pior escolha da solidão.

“Nenhum homem é ilha”, o ditado avisou,
Mas o isolamento o caminho fechou,
Perdem-se sonhos, opções e chão,
E a liberdade morre na própria prisão.

E seja sincero, sem flor nem disfarce:
Essa sociedade fede — apodrece na face,
Hipócrita, doente, exige atenção,
É contágio fácil perder o coração.

Quando menos se espera, já vira rebanho,
Entre urubus, vivendo um estranho ganho,
Julgando e sendo julgado sem ver,
Buscando uma salvação que não vem descer.

Vale tudo escondido do olhar moral:
Amor sem amor, traição banal,
Suborno, pecado coberto de véu,
Desde que ninguém aponte o pincel.

Mas chega o domingo, o teatro esfria,
Todos na sinagoga em igual sinfonia,
Mesma oração, mesma devoção,
Adorando um deus… mas qual direção?

Que deus aceita tanta contradição?
Que fé sobrevive à encenação?
Talvez, nesse jogo tão moderno,
Não fosse mais honesto chamar de inferno.


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Afundar o passado

O que fazer?

O passado é, como alguns dizem, “uma roupa que não serve mais”. Ainda assim, libertar‑se dele é uma das tarefas mais difíceis do ser humano. Carregar esse fardo — esse peso constante sobre os ombros — provoca sofrimento diário em milhões de pessoas e, muitas vezes, abre caminho para a depressão.

A depressão é hoje um dos maiores transtornos da saúde mental no mundo. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 280 a 300 milhões de pessoas vivem com depressão globalmente, sendo uma das principais causas de incapacidade e afastamento do trabalho. No Brasil, estima‑se que mais de 11 milhões de pessoas sofram com o transtorno, o que coloca o país entre os mais afetados da América Latina. [paho.org], [worldmetrics.org] [g1.globo.com]

O passado, quando não elaborado, torna‑se um vilão silencioso: usa a saudade — pura e ingênua — para manipular a dor, corroendo o presente pouco a pouco. E como dói. A OMS aponta que a depressão e a ansiedade juntas geram um custo econômico global superior a 1 trilhão de dólares por ano, reflexo do impacto humano e social desse sofrimento. [news.un.org]

Por isso, é preciso aprender a soltar. Afundar o peso do que passou, deixá‑lo ir para o fundo do mar — como Jack no Titanic — e seguir em frente como Rose: carregando as lembranças, mas escolhendo viver. Não se trata de esquecer o passado, e sim de não deixar que ele determine o presente. Seguir adiante é, muitas vezes, o maior ato de cuidado consigo mesmo.

Sair do Casulo

Estou desabrochando, o processo é gradual,
Dia após dia exige autonomia e coragem real.
A cada amanhecer penso: “é hoje, talvez”,
O coração se abre, vencendo o talvez.

Vou sair beijando e provando cada flor,
Sentindo a vida sem freio, sem pudor.
Vivê-la inteira, do jeito que ela pede,
Livre, intensa, sem medo que cede.

Como admiro elas, as borboletas a voar,
Sim, elas sabem exatamente como viver e se entregar.

sábado, 16 de maio de 2020

Amar muito mais

Veja só como é cruel
a  solidão
nessa triste canção

Veja só esse
caminho
sem destino

Entre saudades
mentiras
intrigas

Veja só
essa nossa  solidão
que mata os corações

Tenho que tentar
encontrar
alguém que me ame mais...