quinta-feira, 7 de maio de 2026

O medo

Uma perturbação me habita,

o coração palpita,

o medo tem forma.


Caminho por trilhas perigosas,

mesmo sabendo do risco,

preciso seguir.


O monstro caminha comigo,

finjo que não o vejo,

finjo que não sou eu.


Mas o medo persiste:

enfrentá‑lo dói,

pois ele é cruel,

silencioso,

traiçoeiro.


domingo, 17 de maio de 2020

Armadilha

É armadilha fingir que tudo está bem,
Sorrir por fora e sangrar por dentro também,
A dor se disfarça num riso ilusor,
Pra não revelar ao mundo o tamanho da dor.

A máscara cai devagar no olhar alheio,
Mas em você a mente paga o preço inteiro,
Neurônios cedendo à pressão constante,
Cabeça fervendo num peso sufocante.

Tudo seria menos duro, menos castigo,
Se houvesse palavra, desabafo amigo,
Dividir o fardo, aprender a falar,
É simples — mas o silêncio prefere ficar.

Não somos máquinas, é preciso entender,
Somos gente sensível tentando viver,
Sofrer sozinho não prova razão,
É a pior escolha da solidão.

“Nenhum homem é ilha”, o ditado avisou,
Mas o isolamento o caminho fechou,
Perdem-se sonhos, opções e chão,
E a liberdade morre na própria prisão.

E seja sincero, sem flor nem disfarce:
Essa sociedade fede — apodrece na face,
Hipócrita, doente, exige atenção,
É contágio fácil perder o coração.

Quando menos se espera, já vira rebanho,
Entre urubus, vivendo um estranho ganho,
Julgando e sendo julgado sem ver,
Buscando uma salvação que não vem descer.

Vale tudo escondido do olhar moral:
Amor sem amor, traição banal,
Suborno, pecado coberto de véu,
Desde que ninguém aponte o pincel.

Mas chega o domingo, o teatro esfria,
Todos na sinagoga em igual sinfonia,
Mesma oração, mesma devoção,
Adorando um deus… mas qual direção?

Que deus aceita tanta contradição?
Que fé sobrevive à encenação?
Talvez, nesse jogo tão moderno,
Não fosse mais honesto chamar de inferno.


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Afundar o passado

O que fazer?

O passado é, como alguns dizem, “uma roupa que não serve mais”. Ainda assim, libertar‑se dele é uma das tarefas mais difíceis do ser humano. Carregar esse fardo — esse peso constante sobre os ombros — provoca sofrimento diário em milhões de pessoas e, muitas vezes, abre caminho para a depressão.

A depressão é hoje um dos maiores transtornos da saúde mental no mundo. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 280 a 300 milhões de pessoas vivem com depressão globalmente, sendo uma das principais causas de incapacidade e afastamento do trabalho. No Brasil, estima‑se que mais de 11 milhões de pessoas sofram com o transtorno, o que coloca o país entre os mais afetados da América Latina. [paho.org], [worldmetrics.org] [g1.globo.com]

O passado, quando não elaborado, torna‑se um vilão silencioso: usa a saudade — pura e ingênua — para manipular a dor, corroendo o presente pouco a pouco. E como dói. A OMS aponta que a depressão e a ansiedade juntas geram um custo econômico global superior a 1 trilhão de dólares por ano, reflexo do impacto humano e social desse sofrimento. [news.un.org]

Por isso, é preciso aprender a soltar. Afundar o peso do que passou, deixá‑lo ir para o fundo do mar — como Jack no Titanic — e seguir em frente como Rose: carregando as lembranças, mas escolhendo viver. Não se trata de esquecer o passado, e sim de não deixar que ele determine o presente. Seguir adiante é, muitas vezes, o maior ato de cuidado consigo mesmo.

Sair do Casulo

Estou desabrochando, o processo é gradual,
Dia após dia exige autonomia e coragem real.
A cada amanhecer penso: “é hoje, talvez”,
O coração se abre, vencendo o talvez.

Vou sair beijando e provando cada flor,
Sentindo a vida sem freio, sem pudor.
Vivê-la inteira, do jeito que ela pede,
Livre, intensa, sem medo que cede.

Como admiro elas, as borboletas a voar,
Sim, elas sabem exatamente como viver e se entregar.

sábado, 16 de maio de 2020

Amar muito mais

Veja só como é cruel
a  solidão
nessa triste canção

Veja só esse
caminho
sem destino

Entre saudades
mentiras
intrigas

Veja só
essa nossa  solidão
que mata os corações

Tenho que tentar
encontrar
alguém que me ame mais...

quarta-feira, 15 de abril de 2020

O que o seu sobrenome representa para você?



INSCREVER-SE

Em 18 de fevereiro, o Museu da Imigração inaugurou a instalação videográfica SobreNomes, que utiliza a técnica de mapping e ocupa uma parede de 13 metros na entrada da exposição de longa duração "Migrar: experiências, memórias e identidades". Para garantir que o público possa prestigiar a produção, mesmo durante o período de quarentena, a instituição lança uma versão digital da vídeo-obra que continuará em exposição após a reabertura. - Texto curatorial “O que seu sobrenome representa para você?”. Essa pergunta foi o ponto de partida da campanha institucional de 2019, desenvolvida pelo Museu da Imigração. A ação buscou criar um ponto de conexão entre a história da Hospedaria de Imigrantes do Brás e das milhares de pessoas que, hoje, não se reconhecem representadas no grande painel de madeira da exposição de longa duração, que presta uma homenagem a algumas famílias que passaram por aqui. Como uma forma de atualizar e dar continuidade a esse local tão afetivo do Museu, realizamos durante dois meses uma captação – por meio do WhatsApp – de grafias e áudios de sobrenomes do público. Ao todo, recebemos mais 1.600 nomes de famílias, de diferentes origens, de pessoas que vieram no passado e das que chegaram ao Brasil recentemente. Nesse processo, a ação levantou algumas questões que cercam um sobrenome, em especial, o que essa palavra significa para o indivíduo e seu impacto na construção de um coletivo social. Por meio desta homenagem, buscamos dar representatividade e protagonismo a esses nomes, oferecendo também um conteúdo sensível e reflexivo sobre a interdependência entre a consciência histórica dos descendentes e o legado da migração através do tempo. E para você? O que seu sobrenome representa? - Ficha técnica GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO João Doria Governador do Estado de São Paulo Sérgio Sá Leitão Secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo Cláudia Pedrozo Secretária - Adjunta de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo

terça-feira, 14 de abril de 2020

sexta-feira, 10 de abril de 2020

PSICANÁLISE - PSICOLOGIA - INTERPRETAÇÃO dos SONHOS

PSICANÁLISE - PSICOLOGIA - INTERPRETAÇÃO dos SONHOS - PSICANALISTA e PSICÓLOGA CÁSSIA RODRIGUES

O que é PSICANÁLISE: É a ciência/arte que objetiva a transposição INCONSCIENTE/ CONSCIENTE. Considerada como a forma de tratamento das neuroses atualmente denominadas “PSICONEUROSES” tem por norma seu tratamento através de: a) Processo de Livre Associação de Idéias; b) Interpretação dos Sonhos; c) Observação e Análise do fenômeno da Transferência; d) Análise dos Atos Falhos (Parapraxias) e da Resistência. E sua ABRANGÊNCIA limita-se: Ao método de investigação do INCONSCIENTE; baseada nesse método e ao conjunto de teorias e normas em que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico. No dizer de FREUD , “é uma profissão de pessoas leigas que curam almas, sem que necessariamente sejam médicos ou psicólogos”.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Amo muito essa canção

Você pra mim foi o Sol De uma noite sem fim Que acendeu o que sou E renasceu tudo em mim Agora eu sei muito bem Que eu nasci só pra ser Sua parceira, seu bem E só morrer de prazer

quinta-feira, 5 de março de 2020

Tesão pelas frutas

 Que belas são as frutas
são lindas e de muitas cores
Que belas elas são...
Quando as vejo
sinto tesão...

Parabéns Chico Buarque

Geni E O Zepelin

Chico Buarque

Compositor(a) da letra: Chico Buarque

Álbum da letra: ÓPERA DO MALANDRO - Trilha Sonora da Peça Teatral

Ano de lançamento: 1979

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de idéia
– Quando vi nesta cidade
– Tanto horror e iniqüidade
– Resolvi tudo explodir
– Mas posso evitar o drama
– Se aquela formosa dama
– Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
– e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Sonho de Ícaro


Como o jovem Ícaro, sentimos o desejo de explorar, buscar novos caminhos e nos lançar ao desconhecido. Voar é uma necessidade da alma. Arriscar faz parte da jornada.

O preço sempre existe. Se valerá a pena ou não, nunca sabemos com certeza — mas sabemos que é preciso viver a experiência. É na tentativa que nos encontramos, mesmo quando as asas se desgastam.

Essa liberdade de escolher diferentes direções, ainda que nossas asas possam derreter como as de Ícaro, é o que dá sentido à caminhada. Melhor cair tentando voar do que nunca sair do chão.

Essa canção é realmente muito linda… porque fala de nós.









Ícaro (em grego: Ἴκαρος, transl.Íkaros; em latimIcarus; em etrusco Vikare), na mitologia grega, era o filho de Dédalo e é comumente conhecido pela sua tentativa de deixar Creta voando – tentativa frustrada em uma queda que culminou na sua morte nas águas do Mar Egeu, mais propriamente na parte conhecida como mar Icário. A História de Ícaro começa com a prisão dele e de seu pai, Dédalo, no labirinto construído pelo próprio Dédalo, a pedido do rei Minos afim de aprisionar o Minotauro