É armadilha fingir que tudo está bem,
Sorrir por fora e sangrar por dentro também,
A dor se disfarça num riso ilusor,
Pra não revelar ao mundo o tamanho da dor.
A máscara cai devagar no olhar alheio,
Mas em você a mente paga o preço inteiro,
Neurônios cedendo à pressão constante,
Cabeça fervendo num peso sufocante.
Tudo seria menos duro, menos castigo,
Se houvesse palavra, desabafo amigo,
Dividir o fardo, aprender a falar,
É simples — mas o silêncio prefere ficar.
Não somos máquinas, é preciso entender,
Somos gente sensível tentando viver,
Sofrer sozinho não prova razão,
É a pior escolha da solidão.
“Nenhum homem é ilha”, o ditado avisou,
Mas o isolamento o caminho fechou,
Perdem-se sonhos, opções e chão,
E a liberdade morre na própria prisão.
E seja sincero, sem flor nem disfarce:
Essa sociedade fede — apodrece na face,
Hipócrita, doente, exige atenção,
É contágio fácil perder o coração.
Quando menos se espera, já vira rebanho,
Entre urubus, vivendo um estranho ganho,
Julgando e sendo julgado sem ver,
Buscando uma salvação que não vem descer.
Vale tudo escondido do olhar moral:
Amor sem amor, traição banal,
Suborno, pecado coberto de véu,
Desde que ninguém aponte o pincel.
Mas chega o domingo, o teatro esfria,
Todos na sinagoga em igual sinfonia,
Mesma oração, mesma devoção,
Adorando um deus… mas qual direção?
Que deus aceita tanta contradição?
Que fé sobrevive à encenação?
Talvez, nesse jogo tão moderno,
Não fosse mais honesto chamar de inferno.

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